quinta-feira, 2 de abril de 2015

Penne com bacalhau


Ingredientes

• 200g de bacalhau dessalgado
• 1 abobrinha italiana cortada à julienne
• 100g de tomate-cereja sem pele
• 10 azeitonas pretas sem semente
• Alcaparras
• Dois dentes de alho
• 150g de penne
• 20 ml de azeite

Preparo

1. Cozinhe o bacalhau em uma panela com água suficiente para cobri-lo, controlando o fogo para evitar que a água ferva. Quando o bacalhau estiver macio, retire da água e desfie (extraia a pele e as espinhas). Reserve o bacalhau e a água.

2. Aqueça, em uma frigideira, o azeite e os dentes de alho. Dois minutos depois, junte a abobrinha, refogue por dois minutos. Adicione as azeitonas e as alcaparras.

3. Cozinhe a massa em 3 litros de água. Use a água em que o bacalhau foi cozido e complete o restante até 3 litros.

4. Escorra a massa quando a massa “al dente” e adicione à frigideira com a abobrinha. Aumente o fogo, junte o tomate e o bacalhau. Adicione um fio de azeite, salteie bem a massa. Sirva imediatamente.

Bacalhau Narciso



Ingredientes

• 1 posta (800g) de bacalhau dessalgado
• 3 folhas de louro
• 8 dentes de alho
• 8 batatas pequenas
• 2 cebolas médias
• 10 azeitonas portuguesas
• 3 fatias de pimentão (verde, vermelho e amarelo)
• 1 colher (chá) de páprica
• Salsinha
• Azeite

Preparo

1. Pré-cozinhe a posta de bacalhau em água com as folhas de louro e com 5 dentes de alho por 3 minutos.

2. Retire o bacalhau da água e leve ao forno com as batatas por 10 minutos.

3. Pique e frite os 3 dentes de alho que sobraram.

4. Corte uma cebola em pedaços bem pequenos e misture com a páprica, a salsinha e o azeite.

5. Fatie a outra cebola em tiras finas e doure no azeite.

6. Retire o bacalhau e as batatas do forno.

Montagem
1. Ponha o bacalhau e as batatas em uma travessa.

2. Coloque primeiro os pedaços de cebola com a páprica e, em seguida, as cebolas em tiras por cima de tudo.

3. Finalize com a salsinha, o alho frito, as azeitonas e as fatias de pimentão. Sirva a seguir.

Filé de bacalhau na cerveja



Ingredientes

• 700g de filé de bacalhau fresco
• 1 xícara (chá) de farinha de trigo
• 100 ml de cerveja pilsen
• 1 ovo
• Sal e pimenta-do-reino em pó
• Óleo para fritar

Preparo

1. Bata a clara em neve.

2. Misture a gema, a farinha e cerveja, formando um creme. Em seguida, adicione a clara em neve, misturando devagar com um garfo.

3. Tempere os filés com o sal e a pimenta. Besunte em farinha de trigo e molhe com o creme de cerveja para fritar em óleo bem quente até dourar.

4. Sirva com purê de batatas e/ou legumes cozidos.

Moqueca de bacalhau



Ingredientes

• 800g de bacalhau demolhado (em postas)
• 6 colheres (sopa) de azeite de oliva
• 4 dentes de alho bem picadinhos
• 1 colher (chá) de colorau
• 4 tomates com pele e sem sementes, cortados em cubos grandes ou em rodelas
• 1 pimentão verde cortado em cubos grandes ou em rodelas
• 1 pimentão vermelho cortado em cubos grandes ou em rodelas
• 2 cebolas médias cortadas em cubos grandes ou em rodelas
• 1/2 xícara (chá) de azeite de dendê
• 1/2 xícara (chá) de leite de coco
• Folhas de coentro fresco
• 2 pimentas de cheiro frescas picadinhas
• 150 ml da água em que o bacalhau foi demolhado

Preparo

1. Afervente por um minuto o bacalhau. Escorra, reservando a água do cozimento (parte dela será usada na receita).

2. Ponha uma panela de barro para aquecer com uma lâmina de água no fundo (a água é apenas uma medida de segurança para a panela não rachar). Mantenha-a em fogo baixo, ela demora a esquentar.

3. Sele as postas de bacalhau em azeite em fogo médio, em uma frigideira robusta. Escorra e reserve.

4. Sue o alho nessa mesma frigideira. Em seguida, acrescente os pimentões e a cebola. Por último, os tomates. Incorpore o colorau aos vegetais. Acrescente a água da demolha (aproximadamente 150 ml; se necessário, ponha mais para a moqueca ficar com um bom caldo). Misture e desligue o fogo (o ideal é que os legumes fiquem inteiros).

5. Ponha as postas do bacalhau na panela de barro, que a essa altura estará bem quente. Derrame sobre as postas todo o conteúdo da frigideira. Aumente o fogo, coloque o azeite de dendê e salpique a pimenta. Por último, derrame o leite de coco e as folhas de coentro. Sirva borbulhando.

Bacalhau com amendoas



Ingredientes

• 600g de filé de bacalhau fresco
• 50g de flocos de amêndoas ou de amêndoas raladas
• 2 ovos
• 1 xícara (chá) de farinha de trigo
• Óleo para fritar
• Sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto
• 250g de espinafre congelado e picado
• 50 ml de creme de leite fresco
• 2 dentes de alho
• 1 cebola

Preparo

1. Seque os filés de bacalhau em papel toalha e tempere com sal e pimenta, passando depois na farinha de trigo.

2. Misture os ovos inteiros, mergulhe os filés, tire o excesso e passe nas amêndoas.

3. Frite em óleo quente até dourar.

4. Pique a cebola e o alho em cubinhos e frite em uma panela até dourar, em fogo baixo. Adicione o espinafre congelado, mexa até descongelar. Quando estiver quente, deligue o fogo, deixe esfriar e adicione o creme de leite, um pouco de sal e pimenta. Misture bem, ligue o fogo baixo novamente, deixe um pouco até ficar bem homogêneo, mexendo sempre até formar um creme.

5. Sirva com o creme e batatas cozidas ou arroz branco.

Bacalhau Biscaíno



Ingredientes

• 600g de bacalhau dessalgado
• 100g de extrato de tomate
• 300g tomate fresco cortado em cubos
• 150g de pimentão vermelho
• 200g de cebola branca
• 10g de alho
• Pimenta de espelette (ou chilli), a gosto
• 100g de farinha
• 150 ml de vinho branco
• 1 pão francês
• Sal a gosto

Preparo

1. Deixe o bacalhau em água quente por 3 a 4 minutos. Em seguida, corte em pedaços.

2. Corte o pimentão e a cebola à julienne e pique o alho.

3. Ponha, em uma caçarola, azeite e salteie a cebola e o alho primeiro. Depois, junte o pimentão até ficar macio. Coloque a farinha e cozinhe por 2 minutos.

4. Junte os tomates cortados em cubos, o bacalhau, a pimenta, o extrato de tomate e o vinho branco.

5. Leve a caçarola ao forno com tampa. Quando estiver cozido, polvilhe pão ralado por cima e gratine (sem a tampa) até ficar crocante. Sirva.

Bacalhau a madeira


Ingredientes

• 1 posta de bacalhau (800g) dessalgada
• 3 folhas de louro
• 8 dentes de alho
• 3 batatas cozidas
• 200g de brócolis cozido
• 200 ml de molho de tomate fresco
• 2 corações de alcachofra
• 1 colher (sopa) de orégano
• 3 fatias de pimentão (vermelho, verde e amarelo)
• 8 azeitonas portuguesas
• Salsinha a gosto

Preparo

1. Pré-cozinhe a posta de bacalhau em água com as folhas de louro e 5 dentes de alho por 8 minutos.

2. Frite a posta no azeite em fogo alto por 2 minutos.

3. Leve a posta ao forno 180 °C por 10 minutos.

4. Para fazer o molho, leve ao fogo o molho de tomate, as alcachofras e o orégano por 5 minutos.

5. Corte cada batata em 3 fatias grossas e frite no azeite por 2 minutos.

6. Pique e frite 3 dentes de alho.

Montagem
1. Coloque o bacalhau no centro de uma travessa.

2. Ponha molho de um lado do bacalhau e do outro, o brócolis, as batatas e o alho frito.

3. Enfeite com as azeitonas, o pimentão e a salsinha. Sirva a seguir.

Bacalhau da rampinha



Ingredientes

• 1 posta (800g) de bacalhau dessalgado
• 3 folhas de louro
• 8 dentes de alho
• 3 batatas
• 200g de cebola fatiada
• 8 azeitonas portuguesas
• Salsinha a gosto

Preparo

1. Pré-cozinhe a posta de bacalhau em água com as folhas de louro e 5 dentes de alho por 8 minutos.

2. Frite a posta no azeite em fogo alto por 2 minutos.

3. Leve a posta ao forno a 180°C por 10 minutos.

4. Corte a batata em fatias finas (de mais ou menos 0,5 cm) e frite até ficarem douradas.

5. Refogue as fatias de cebolas no azeite até estarem macias.

6. Frite 3 dentes de alho picados.

Montagem
1. Ponha o bacalhau em uma travessa rasa ao lado das batatas fritas.

2. Coloque as cebolas por cima das batatas, junto com o alho frito, a salsinha e as azeitonas. Sirva a seguir.

Bacalhau Tinto ou Branco?

Luna Garcia
Por se tratar de um peixe, mas com sabor e aromas intensos, o bacalhau harmoniza bem com vinhos que vão desde o Verde até tintos encorpados do Douro
A Páscoa está aí e muitas mesas não ficarão completas sem aquela receita especial de bacalhau para a Sexta-Feira Santa. A tradição que remonta à Idade Média, quando havia um intenso calendário religioso de jejum de carnes vermelhas, foi popularizada no Brasil com a chegada da família real portuguesa em 1808. A forma de preparar o peixe varia enormemente, mas não há quem não tenha uma receita preferida.
A maior dificuldade aparece na hora de buscar o vinho na adega para acompanhar o prato. De Vinho Verde a tinto do Douro encorpado, todas as alternativas já foram provadas e é possível encontrar defensores de cada uma delas. De fato, por se tratar de um peixe, mas com sabor e aroma intensos, o bacalhau se coloca em uma posição intermediária na escala de corpo dos vinhos com os quais melhor se harmoniza (o frango é outro exemplo). Nesse ponto intermediário da escala, há uma sobreposição entre vinhos brancos encorpados e tintos de corpo médio.
Os vinhos brancos mais leves e refrescantes normalmente são dominados pela intensidade do bacalhau, enquanto os taninos dos tintos mais encorpados travarão batalha sem vencedores contra o sal do peixe. Mas, como existem centenas de receitas de bacalhau, todas elas se harmonizarão com o mesmo vinho? Evidentemente que não.
Aproveitamos a flexibilidade de preparo do bacalhau para utilizá-lo didaticamente como campo de provas confrontando as técnicas de cozimento com seis vinhos de características próximas, mas particulares. Como as técnicas de cocção foram empregadas na elaboração de pratos finalizados, não há como isolá-las completamente dos ingredientes adicionados à receita, o que certamente resulta em alguma interferência (veja o Box falando sobre técnicas de cocção na página seguinte).
Chardonnay se mostrou uma casta versátil com o bacalhau, mas sua melhor combinação foi com o ensopado Dolium foi perfeito com o bolinho devido à sua textura untuosa

Seis preparos diferentes

Nossa prova incluiu ao menos um representante de cada uma das categorias de cocção (vide Box):
Aferventado - salada de bacalhau com feijão branco, tomate, cebola, salsinha, agrião e pimentões;
Fritura - o tradicional bolinho de bacalhau com batatas;
Salteado - risoto de bacalhau com azeitonas pretas;
Grelhado - bacalhau grelhado com pó de presunto cru (receita inspirada no grande chef basco, Juan Mari Arzak);
Assado - bacalhau "Saul Galvão" (receita popularizada pelo saudoso mestre), que leva batatas e cebolas pequenas, cabeças de alhos e postas de bacalhau, tudo cozido lentamente imerso em azeite de oliva (quase um confit, como o próprio Saul Galvão ensinava);
Ensopado - bacalhau "Cândido Portinari" (receita inspirada em preparação do chef Alex Atala), que inclui postas de bacalhau, leite de coco, azeite de dendê, pimentão vermelho e tomate.

Os vinhos para acompanhar

Os eleitos para enfrentar essa batalha foram: Grüner Veltliner L. Berg-Vogelsang 2009 - um Grüner Veltliner maravilhoso e acessível (tanto para quem não conhece, como para os iniciados). As frutas se contêm em um segundo plano, deixando no centro do palco uma mineralidade e um esfumaçado que cria uma atmosfera quase misteriosa. Um vinho untuoso, com notas de especiarias. Seus 12,5% de álcool parecem variar conforme a necessidade. Leve quando deve ser, encorpado quando preciso. Extremamente refinado.
Dolium Escolha Branco 2009 - um branco alentejano produzido com a casta Antão Vaz pelo renomado enólogo e produtor Paulo Laureano. As frutas tropicais como manga, por exemplo, emprestam um frescor a este vinho, em realidade, bastante encorpado e untuoso. O final é longo e elegante. Uma ótima pedida para sair do comum.
Viu Manent Gran Reserva Chardonnay 2008 - um Chardonnay que representa bem a qualidade crescente da casta no Chile. Presença de maçãs e peras (frescas e cozidas), figos, mangas e pêssegos. O carvalho adicionou especiarias e complexidade ao vinho. Um final fresco e longo. Correto e equilibrado.
Allende Blanco 2007 - branco riojano produzido com as castas Viura e Malvasia de forma moderna e arrojada para os padrões locais, sobretudo pelo uso de barris novos de carvalho francês. Destaque para a textura cremosa e um mel em primeiro plano. Baunilha e amêndoas aparecem a seguir e, finalmente, notas de frutas tropicais (melão e goiaba). Mais uma boa opção para sair da rotina.

LEGENDA

- Harmonizações perfeitas, em que a soma de prato e vinho resulta em um novo elemento único e espetacular, ou seja, 1+1 = 3;
- Harmonizações que fazem ambos crescerem, mas sem constituir um novo corpo, ou seja. 1+1>2 (e menor que 3, claro);
- Harmonizações neutras. Não há prejuízo nem ganho para prato e vinho na harmonização, ou seja, 1+1=2
- Harmonização que gera perda, incompatibilidade entre prato e vinho. Ou seja, 1+1
O mel do vinho riojano fez um contraste maravilhoso para o sal do bacalhau em todas as preparações
Bairrada Quinta do Valdoeiro Reserva 2003 - tinto da Bairrada com predomínio da casta local Baga, mas com corte de Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon e Syrah. As frutas negras surgem lentamente por trás do ataque inicial de madeira e baunilha. A refrescância da Baga se deixa dominar pelo peso, sobretudo, da Cabernet Sauvignon e Syrah. Cresce lentamente na taça, ganhando outras dimensões.
Palliser Estate Pinot Noir 2006 - Excelente Pinot Noir de Martinborough, Nova Zelândia. Os verões quentes e outonos secos permitem uma perfeita maturação das uvas, o que resulta em vinhos bastante frutados. Neste 2006, o destaque são os morangos e cerejas. Presença sutil de aromas florais. Quando a explosão de frutas está contida aparecem os aromas de bosque molhado. A excelente acidez do vinho lhe dá vida, vivacidade, e quase queremos conversar com ele. Um vinho sofisticado.

TÉCNICAS DE COCÇÃO E VINHOS

Não é possível estabelecermos uma regra de harmonização para o bacalhau. Aliás, qualquer "regra" desse tipo pode prestar um desserviço aos consumidores. Pois muitos fatores influenciam cada harmonização em particular. No lado dos vinhos, o clima em que foram cultivados, o teor alcoólico, as técnicas de vinificação, como a utilização de barris de carvalho ou fermentação malolática, por exemplo, são elementos que devem ser levados em conta. Com relação aos pratos, dois fatores influenciam a constituição do corpo repercutindo, consequentemente, na harmonização: ingredientes e método de cocção.
As técnicas de cocção podem ser divididas em duas categorias básicas: calor seco e calor úmido (a literatura apresenta, eventualmente, a categoria intermediária entre as duas). A primeira reúne os grelhados, assados, salteados e fritos. A segunda, aferventados, pochês, no vapor, confit e ensopados. Para citar apenas as mais usuais. Cada técnica influencia o resultado final de forma diferente. As técnicas mais sutis em termos de adição de corpo são o vapor e a fervura. Nessas técnicas não há interferência de óleo, manteiga ou outro tipo de gordura, portanto o resultado é um produto mais próximo de seu sabor original. Com alimentos preparados por meio dessa técnica, harmonizam-se, usualmente, vinhos leves e delicados.
Seguindo na escala de adição de corpo por meio do preparo vem a fritura. Nessa técnica é utilizado um óleo de sabor neutro, de forma a não interferir tanto no sabor, mas, sim, na textura do alimento, criando uma camada crocante por fora e tenra por dentro, além de adicionar gordura. Podemos pensar em vinhos um pouco mais encorpados em relação à categoria anterior.
A seguir vem o salteado, que guarda semelhança com as frituras, mas no qual é empregada uma gordura que adicionará sabor ao preparo, como azeite de oliva ou manteiga. Nesse processo, o alimento é levemente caramelizado por fora, abrindo caminho para os vinhos com passagem por carvalho.
Na etapa seguinte estão os grelhados. Aqui, a caramelização é mais intensa e é adicionado, também, certo sabor defumado, criando pontes sólidas para os vinhos com presença marcante de carvalho.
No penúltimo degrau de nossa escala (simplificada) estão os assados. A grande diferença em relação aos grelhados está no contato da gordura com o alimento. Enquanto na grelhagem a gordura é eliminada, nos assados a gordura adiciona corpo e riqueza ao preparo. A caramelização (intensa), o amargor daí decorrente e a gordura criam espaço para os taninos.
Finalmente, os ensopados. Usualmente, nessa técnica, as proteínas passam por um preparo prévio de grelhagem ou salteamento, criando uma camada caramelizada que ajudará a manter a suculência do alimento. Posteriormente são adicionados molhos, caldos, fundos etc, que, após um período prolongado 
de cozimento, criarão uma complexidade de sabores, realçados, ainda, pela presença da gordura, capaz de se harmonizar com vinhos mais encorpados e igualmente complexos.

Comentários
Grüner Veltliner

Houve uma tendência clara para os brancos. O Grüner Veltliner foi uma grata surpresa e mostrou-se um vinho excelente na harmonização com o bacalhau em suas variadas formas. Destacou-se com a salada leve e fresca, chamando a cebola para o mesmo nível do bacalhau, ambos sobre uma moldura discreta do feijão branco. O amargor do agrião deixou o vinho extra-seco, quase doce, criando uma sensação de contraste extremamente prazerosa. Com o bacalhau grelhado, a harmonização foi no sentido contrário, ou seja, por similaridade. O esfumaçado do vinho envolveu o defumado da grelha, criando uma combinação etérea amarrada ao chão pelo pó de presunto cru.

Branco português

O Dolium, branco português, como não poderia deixar de ser, foi perfeito com o bolinho de bacalhau, ambos de textura untuosa. De olhos fechados, era difícil dizer quem era quem. Restringir essa combinação apenas à Semana Santa é um desperdício. Novamente por afinidade, ele se deu muito bem com o bacalhau confit. Batatas, cebolas e alhos extremamente macios e saborosos assistiram de camarote a um casamento para a vida toda.

Branco de Rioja

O mel do Allende riojano foi um contraste maravilhoso para o sal do bacalhau em todas as preparações, porém, quando encontrou cremosidade semelhante à sua no risoto, fechou a questão.

Chardonnay chileno

A Chardonnay se mostrou uma casta extremamente versátil com o bacalhau. Foi bem desde a salada até o confit e, apesar de ter sido escolhido visando, sobretudo, o risoto, pela presença cremosa da manteiga e do queijo, não chegou a ser uma surpresa o fato de ter sido combinação perfeita com o bacalhau ensopado. O destaque do preparo ficou por conta do leite de coco e do azeite de dendê, ambos cremosos e untuosos. A complexidade adicionada ao vinho pelo carvalho, tanto amanteigada quanto de especiarias, ficou à altura do prato.

Tinto da Bairrada

O bom vinho da Bairrada, no caso específico do bacalhau, foi um pouco prejudicado pela potência da Cabernet Sauvignon e da Syrah. Ainda assim, fez belas combinações com o bacalhau grelhado e o ensopado.
Grüner Veltliner mostrou-se um vinho excelente na harmonização do Bacalhau em suas variadas formas

Pinot Noir neozelandês

Somente um vinho com a elegância deste Pinot Noir poderia sair de cabeça erguida neste difícil embate. Mesmo a preparação mais complexa não foi capaz de criar a harmonia perfeita com o vinho. Sua acidez vivaz foi suficiente para enfrentar as gorduras do bolinho, do risoto e do confit, enquanto o presunto cru do bacalhau grelhado o trouxe ao jogo. Só de imaginar esse vinho enfrentando aves de caça e cogumelos já nos faz sonhar.

Vinho e bacalhau?

Nem sempre as harmonizações acontecem exatamente da forma como planejamos. Às vezes, é o vinho que supera as expectativas, às vezes o prato, decepções aqui e ali também são comuns, mas o principal e o mais prazeroso é tentar. E não se esqueça, da próxima vez que perguntarem qual o vinho ideal para acompanhar bacalhau, a resposta certa é: depende...


Original: http://revistaadega.uol.com.br/artigo/bacalhau-tinto-ou-branco_3108.html#ixzz3W7Z3iKou